Frente contra o extermínio da juventude negra recebe propostas em audiência pública

Em 13/04/2016
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Ampliar as políticas públicas voltadas para o combate ao racismo e para inclusão social da população negra foi o principal ponto defendido durante a audiência pública realizada pela Frente de Combate ao Extermínio da Juventude Negra, nesta quarta, na Câmara Municipal do Recife. A discussão reuniu representantes do Legislativo e do Poder Executivo estadual e municipal, Ministério Público, Polícia Militar e sociedade civil organizada.

Em Pernambuco, a chance de um jovem negro ser assassinado é 11,6 vezes maior que a de um branco da mesma faixa etária, de 12 a 29 anos. É o segundo pior índice apresentado pelos estados brasileiros, atrás apenas da Paraíba.

Coordenador do colegiado, o deputado Bispo Ossesio Silva, do PRB, destacou a importância das audiências públicas da Frente, já realizadas em Cabo de Santo Agostinho e Olinda, para fundamentar o relatório final do colegiado. “Fazer um trabalho de maneira que possa dar uma resposta a essa sociedade ansiosa, que esta aí enquanto seus filhos estão sendo mortos por causa das drogas ou pela vida desregrada que levam. Mas temos muito o que agradecer à sociedade, chama-la para perto, para junto da gente, e assim podemos conseguir êxito nessa vitória”.

Frente de Combate do Extermínio da Juventude Negra de Pernambuco.

Capitã Lúcia Helena: “é necessário primeiro que as pessoas se conscientizem de que são racistas” Foto: João Bita/Alepe

O vereador do Recife Alfredo Santana, do PRB, enfatizou que bairros como Ibura, na Zona Sul, com cerca de 50 mil habitantes, têm o tamanho de cidades mas não dispõem de acesso a ensino superior. A capitã Lúcia Helena, do Grupo de Trabalho Racismo da Polícia Militar, defendeu políticas específicas para a educação e cultura. “O que é mais estruturante é a educação. Porque essa ideia que existe na sociedade de que tudo que vem do negro é ruim, é feio, é do demônio, isso é o que prejudica a população negra. Não só no âmbito da segurança, mas também da saúde, das escolas. Então é necessário primeiro que as pessoas se conscientizem de que são racistas.”

Alersson Teixeira, do Fórum de Juventude Negra, , alertou para o risco de retrocesso nas políticas voltadas para a igualdade racial em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Já o representante do Movimento Negro Unificado, José de Oliveira, falou do trabalho desenvolvido pelo grupo desde 1995: “Foi feito uma movimentação de 1995 até hoje, quando a gente saiu de um estado de lamento com uma ação propositiva, e apresentamos, ainda no Governo FHC, uma proposta muito enegrecida para poder avançar. E um dos pontos que a gente tem como entendimento para o avanço e a conquista do povo negro é a educação. Educação é o centro de que a gente, com isso, pode ganhar a liberdade que a gente busca desde o tempo da escravatura.”

A deputada Teresa Leitão, do PT, defendeu uma política articulada entre os entes federados. Edilson Silva, do PSOL, ressaltou a importância de valorizar a educação e a cultura nas comunidades pobres para promover inclusão social e fomentar novas cadeias produtivas. Já o líder da Oposição, Sílvio Costa Filho, do PRB, apontou a crise do programa Pacto Pela Vida como um dos fatores que aumentam a vitimização dos jovens negros pela violência.